Essa é mais uma daquelas histórias de gente que acaba gostando de alguém próximo, e não faz a menor idéia de como não estragar tudo.
Outro dia, estava eu chateado com alguns amigos. Ela me veio, depois de muito tempo sem me ver, com chateações parecidas a respeito das mesmas pessoas. Poucos sabem o bel prazer que reside em dividir uma raiva em comum, mas nós bem sabíamos. E eu estava muito feliz, pois além disso, essa guria é muito linda.
Papos em comum, conversa fluida, comecei a ve-la cada segundo mais linda. Usava uma blusa xadrez e um shorts jeans, sem ligar pro aparente frio. E falava borracha de amigas e de amigos, sexo, drogas e rock´n´roll, religião, histórias de banheiro e de salas de aula. Eu ouvia tudo com o mais dedicado afinco, adorando. Sem o silêncio desconfortável.
Marcamos outras saídas, todas muito boas. Há muito não conseguia apreciar alguém em momentos de distração, mas com ela eu consegui. E era muito mais linda que sua boca sorridente e seus lindos olhos claros.
Me dei conta como muitos cientistas se dão conta de uma descoberta gigantesca que os havia escapado os olhos.
Onde ela estava esse tempo todo? O que eu estava pensando?
De uns tempos para Cá, a freqüência das visitas foi aumentando e o tempo entre elas diminuindo. A quantidade de amigos envolvidos nas saídas diminuiu a cada vez, sobramos os dois numa ida ao supermercado e olhe, jantar na casa dos pais com família.
Eu exito sair de onde estou. Esse medo limitador de mostrar o que se sente, um mal da minha geração, me segura ainda. Alguns dizem que eu já estou namorando, podia ser isso aí mesmo, mas não sei se é bem por aí. Certas vezes, uma indireta revela uma verdade, mas é difícil ler a indireta que volta.
Tem horas que ela é tão radiante, que eu me sinto indigno. Isso mesmo, fudeu.
Devo ser muito estúpido pra não ser claro, mas as vezes eu tenho que me lembrar do fato de que algumas pessoas levam muito a sério o crisma do “estragar amizade”. Mas eu discordo.
Do meu ponto de vista de coração desconfiado, ele se encantar por ela é uma homenagem, que me deixa feliz toda vez que a mensagem pra mim é dela. Saber de um gostar devia ser bom, e se envolver parte da coisa.
Achei alguém que eu quero muito chamar de minha.