Olhar perdido. Pois sim, no meio daquela multidão empovorosa pelo show do Faith no More que viria, era a única reação óbvia de quem espera encontrar alguém.
Deftones já mandava metade do show, todos gritavam e se empurravam, uns choravam e outros protegiam o nariz do pó que subia, outros gastavam seus salários em bebidas superfaturadas, mas nada abalava a constância do olhar que procurava. Vez ou outra cantava alto pro tempo passar mais rápido, ou pra ser achada. Nunca vou saber.
Quando o olhar desistiu de procurar, da confusão a frente rompeu outro olhar atravessando todos os empolgados presentes. Veio certo, sem dúvidas, rápido, preciso, havia achado o oasis no meio do deserto finalmente.
E o encontro foi assim: um abraço que levou 3 músicas, girando no ar, em slow motion, e depois bocas se cumprimentaram. Se cumprimentaram, de verdade, não como esses beijos de balada apressados em lamber amídalas alheias, elas se cumprimentaram, como dizendo sem dizer
-Olá…
-…olá
-….quanto tempo..
-…nem me fale…
ou algo assim.
E ficaram lá, sem mover as bocas em direções aleatórias, apenas as mantendo tocadas e envolvidas uma na outra por um bom tempo. Aliás, ‘bom tempo’ define precisamente. E dos olhos dela, a lágrima se soltou junto de um sorriso que terminou o primeiro movimento do longo beijo. Você já viu um olhar sorrir? É lindo.
Eu testemunhei isso tudo sem sentir inveja nem nada parecido.
Só saudades.
1 pila por coração no peito.
November 8, 2009
Bodytalk