March 22, 2009
Listra xadrez

Alguma coisa o incomodava.
Eram seus “pensentimentos” dentro do ônibus alegres e amedrontadores. “As fotos dela não revelam muito da aparência. Será que ela é baixinha? Cara, será que ela é tão bonita quanto parece no álbum? Ou vai que ela não é tão legal e não gosta de mim? Eu passei desodorante? Perfume? Passei, passei”

Em meio a esses pensamentos, 5 minutos atrasado do horário combinado para o encontro no centro da cidade, divagações tomaram conta do ambiente e o transportaram para a sala de computadores da faculdade, onde tudo começou. E lá estava ele, maravilhado em frente a tela com aquelas sardinhas, e formato da boca, e os olhos meio fundos e o all star verde. Ela é ruiva, né?

“Lissnssa” uma mulher que atravessava seu caminho para a porta de trás sussurou, querendo dizer no dialeto local “com licensa”. Isso interrompeu toda a viagem mental da volta a faculdade, trazendo-o de volta ao corredor lotado de gente em pé. Foi quando se deu conta que o ponto mais próximo ao centro chegara, começaria ali uma caminhada curta até o ponto de encontro.

Se dizem que ansiedade soa como borboletas na barriga, rapaz, naquela caminhada eram abelhas africanas. O momento que a amizade e cumplicidade que acontecera via msn chegou e disse “estamos ha uma quadra dela” foi tão intenso , que ele hesitou seus primeiros passos.
Porém, resolveu andar, ia pagar pra ver. Talvez fosse sortudo, havia uma grande chance dela ser tudo o que tinha mostrado e demonstrado.

Enquanto apressava o passo para o ponto de encontro - 10 minutos,10 minutos, porra -, procurava por ela indo embora, para calcular a velocidade da corrida para impedi-la de tal coisa. Foi então que aconteceu. Um grito de longe, estranho, soou totalmente familiar e tudo parou.

“Eeeeeei!!”

Atravessando a faixa de pedestres lá vinha ela. A camisa combinada previamente, a calça skinny, o all star verde.
“Ela é…ela é alta! Na real ela é do meu tama…”abraço. Tão imediato, apertado, quente quando poderia ser. Quanto deveria ser. Sem tempo para maiores avaliações, sem chance para diminuir as espectativas. Ele nunca tinha sentido tanto alguém num abraço só.
Disso, veio o beijo. As bocas se encaixaram, não teve adaptação. E durou uma eternidade, pelo menos 5 minutos de eternidade e de pele e de química, e de corações acelerados, tão acelerados e ansiosos que ambos sentiam isso no pulsar das linguas que se cumprimentavam.

“Oi, eu…” e nada mais saiu, por algum tempo, alem de um olhar encontrado. e profundo. Ela era linda, mais linda do que nas fotos, mais alta do que o esperado, mais certa do que tudo que ele tinha cogitado até ali. Cheiro, calor, tamanho, e medidas que só cabem imaginar.

Nada atrapalhou aquele momento, nem as pessoas admirando o casal, nem as câmeras anônimas que discretamente registravam o sentimento, as pessoas que passavam e não notavam o céu mais azul naquele ponto, ou o fato de estarem ainda parados em uma parcela da rua.

E então as abelhas tornaram em calma, e sossego, e tudo era bom sentimento.
Até hoje é assim com eles.

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